Bodyshop não funciona… nunca funcionará!

Anos atrás uma onda de terceirização foi iniciada em vários segmentos da economia, indústria, serviços; delegando para terceiros a fabricação de partes de  componentes , a montagem de um equipamento, até mesmo sua completa fabricação. No setor de serviços sub-contratando mão de obra, ou empresas inteiras para prestação de algum serviço, limpeza e segurança são os exemplos clássicos, além do telemarketing e  serviço de atendimento ao consumidor, que foi chamado de chão de fábrica do século XX. O objetivo principal: redução de custos! Enquanto a inteligência do negócio, criação, comercialização, continuava com a empresa, atividades de menor valor eram terceirizadas. Em nenhum outro segmento como na TI foi e é tão visível, e isso não funciona. Nunca funcionará.

Surgiram então as fábricas de software, muito bem descrito no artigo do Akita, Fábrica de Software é uma Besteira , como: “O maior desserviço à área de Desenvolvimento de Software já criado na nossa história recente foi o termo ‘Fábrica de Software'”. No qual existe até uma concordância com outro texto meu, Arquitetos não existem, em que eu coloco que a construção do software é trabalho do compilador, o desenvolvedor faz o projeto dele. Engraçado que,  apesar de saber da existência deste texto do Akita, eu ainda não havia lido.

Já que a  questão da fábrica de software já foi discutida, quero colocar outro problema em evidência:  o body shop, outsourcing; que é feito por várias empresas que alocam profissionais para trabalhar nos seus clientes. O objetivo é sempre o mesmo, redução da carga tributária; a falta da necessidade de manter indefinidamente a estrutura com esses profissionais, enxugando assim a quantidade de funcionários propriamente dita. Mas chega um determinado ponto que esse modelo falha.  Acontece que esses profissionais não estão comprometidos com a empresa em que estão alocados, ou seja, não vão se comprometer com o seu trabalho, com o projeto ou com o produto. Ele não está comprometido com a continuidade. No primeiro sinal de perigo ele pula fora. Afinal quando uma empresa decide fazer cortes ela começa por aí, já que não terá o ônus trabalhista,  só precisando  cancelar um contrato. Uma proposta um pouco maior também faz esse profissional sair e, uma vez que  a visibilidade dele para a empresa em que está alocada e para a sua empresa as vezes é pequena, será difícil ele conseguir uma valorização financeira maior sobre o trabalho que está executando.

Esse profissional está por conta própria. Com perspectivas de crescimento pequenas, de valorização ainda menores, ele se encontra em uma posição desfavorável e ninguém gosta de estar assim. Por conta disso,  diversos profissionais encontram-se estagnados, já que não tem motivação para ir além de sua capacidade. Dessa forma, executam um trabalho diário braçal e mecânico, sem melhorar sua técnica, trazer mais valor para o seu trabalho. Muitas vezes ele é hostilizado por funcionários da empresa em que se encontra alocado, tratam-no apenas como recurso no processo, proveniente de um contrato de prestação de serviço. Com certeza algum leitor está pensando que não é verdade que todo profissional não contribua, que não invista, que não melhore seu trabalho. Sim vários se importam, por que eles entendem que não são só as empresas envolvidas em um projeto mal feito que serão penalizadas, seu nome também esta em jogo. Mas mesmo esses profissionais são desestimulados com o passar do tempo.

Pessoas não são recursos. Elas determinam o sucesso e o fracasso de um projeto, e não as máquinas usadas, a linguagem, a internet. A desvalorização e, consequente, a  desmotivação de uma pessoa afeta diretamente o sucesso de um projeto no qual são horas perdidas de conhecimento, pesquisa, e por aí vai.

Mas então,  qual seria a solução? Empresas fortes em desenvolver sistemas para os seus clientes e não apenas em fornecer mão de obra. Empresas que pesquisem, armazenem esse conhecimento, mantenham profissionais e vendam soluções,  e não horas. Empresas de TI que sejam do negócio de TI e não apenas RH especializados em TI. Empresas assim,  ganham mais, pagam mais e contribuem com a economia do país. Essa empresas teriam foco, da mesma maneira que os clientes que ela atenderia  têm foco, que não é a TI.

6 respostas para “Bodyshop não funciona… nunca funcionará!”

  1. Interessante colocação.
    E olha que seu post é de 2011.
    Estamos em 2015 e essa terceirização continua.
    E sempre que aparece uma oportunidade melhor, até mesmo no cliente, esse profissional migra.
    Até quando as consultorias continuarão assim, sem entender que uma pessoa que trabalha como PJ não resistirá por tanto tempo, sem perspectivas maiores?!

    P.S.: não sou da área de T.I. Sou psicóloga. 🙂

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